quarta-feira, 25 de julho de 2012

JG JORNAL DO GUMA


CULTURA

DEFINIDOS SHOWS DA FAMPOP
A Comissão Organizadora da Feira Avareense de Música Popular – FAMPOP -, anunciou em coletiva na manhã do último sábado, no Cineclube Avaré (CAC), às 11h00, as atrações da 30ª edição do festival, programado para os dias 11, 12, 13 e 14 de outubro.

Os shows serão com o avareense Altino Toledo e Regional Imperial (choro, música popular) no dia 11 – eliminatória avareense, Chico César e Dani Black no dia 12, Cinco a Seco no dia 13 e, encerrando o festival, o patrono Lô Borges. Todas as atrações têm ligações diretas com o festival.


Altino Toledo e Regional Imperial

Avareense, Altino Toledo foi integrante do Grupo Avaré e participou das primeiras edições da FAMPOP, sendo jurado em outras ocasiões. É bandolinista e fundou, com Alexandre Bauab Jr., o Grupo de Choro do Conservatório de Tatuí (Quebrando Galho). Atualmente, é graduando em Educação Musical na USFCar (Universidade Federal de São Carlos). Como professor, ministrou aulas em festivais como o 25º Festival de Londrina (aulas de bandolim e prática de choro); em três edições do Festival de Ourinhos (aulas de prática de choro); e em workshops e concertos didáticos nas cidades de Jaú, Bauru, Ribeirão Preto, Santos e em Tatuí.

Participou de mais de cem apresentações públicas em mais de cinqüenta diferentes cidades do Estado de São Paulo, dentre elas destacam-se as realizadas com músicos reconhecidos nacional e internacionalmente como Naylor “Proveta”, Altamiro Carrilho e Humberto Araújo. Com o Grupo de Choro Quebrando Galho gravou CD homônimo.

Tendo como base e inspiração os grandes regionais da história da música popular brasileira, o Regional Imperial surge com a proposta de continuar propagando esse tipo de acompanhamento, tão tradicional e tão nobre. Nascida desde os primórdios da música popular brasileira (ainda no século XIX), a formação contando com dois violões, um cavaquinho e um pandeiro serviu de base para inúmeros instrumentistas solistas e cantores, atuando em discos, programas de rádio e exibições públicas. A denominação “Regional” surgiu a partir dos anos 30, quando grupos desse tipo proliferaram em gravações e em emissoras radiofônicas.

Criado a partir da reunião de quatro jovens músicos, o grupo tem como referência, sobretudo, os regionais de Benedito Lacerda, Canhoto e Época de Ouro, que fizeram escola na MPB. O grupo é formado por João Camarero (violão de 7 cordas), Junior Pita (violão), Lucas Arantes (cavaquinho) e Rafael Toledo (pandeiro). Ao conjunto deu-se o nome de Regional Imperial, para reforçar a nobreza inerente aos regionais de outrora, e que o grupo faz questão de homenagear.

Chico César e Dani Black

Nascido Francisco César Gonçalves em 26 de janeiro de 1964, o paraibano Chico César tem uma relação muito forte com a FAMPOP. Em 1991, conquistou o 3º lugar no festival com “Beradero”, levando também o prêmio de melhor letra. No ano seguinte, ficou com o segundo lugar com “Dança” e também já fez parte do júri do festival.

Aos dezesseis anos Chico César foi para a capital João Pessoa, onde se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, ao mesmo tempo em que participava do grupo Jaguaribe Carne, que fazia poesia de vanguarda.

Pouco depois, aos 21 anos, mudou-se para São Paulo. Trabalhando como jornalista e revisor de textos, aperfeiçoou-se em violão, multiplicou suas composições e começou a formar o seu público. Sua carreira artística tem repercussão internacional. A maioria de suas canções são poesias de alto poder de encanto lingüístico.

Já o jovem músico paulista Dani Black, nasceu em 1987 e foi vencedor da 27ª FAMPOP com “Oração”, participando também em outras edições como concorrente. Tem as qualidades que diferenciam os grandes artistas: uma voz marcante, personalidade e carisma no palco, toca com a intimidade do instrumentista que domina bem as possibilidades de sua guitarra e violão.

No 1º instante aqueles que não o conhecem, acabam descobrindo um compositor que inova, busca uma poética diferente e instigante e que desenvolveu seu jeito de tocar e ritmar com luz própria. Ele usufrui como poucos de uma perspectiva musical que oscila do sofisticado ao popular. E para os que já o ouviram, tudo soa com a emoção da 1ª vez, mas acompanhado da gostosura de poder cantar junto e balançar o corpo.

Dani está lançando o seu primeiro disco pela Som Livre. Um CD forte como é a música de Dani Black e que tem tudo para confirmar o que a mídia especializada e vários artistas (Chico César, Djavan, Lenine, Zélia Duncan, Ney Matogrosso, Maria Gadú e Moska) estão dizendo: Dani Black veio para ficar.

5 a Seco

São cinco jovens, Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni. A maioria já participou da FAMPOP como concorrentes e foram premiados. Violonistas, além de se revezarem no baixo, na bateria e na percussão, suas primeiras apresentações foram restritas. Mas suas músicas e shows foram parar nas redes sociais. Deu-se o estouro. Saíram das pequenas salas, destinadas aos iniciantes, e ganharam as grandes, privilégio dos consa­grados. Impulsionados pelo energético, boca a boca, consagraram-se como fenômeno musical.

Vários predicados permitem o feito: muito ensaio e afinação, improvisar, vocalizar, compor, cantar bem e uma exuberante presença de palco, o que os torna modelos de cobiça para moças e ideais de genro para pais.

O 5 a seco faz o novo sem precisar apregoar. Carregam em si a marca jovial dos que arriscam. São modernos porque assim são no dia a dia. Vestidos como qualquer jovem da idade deles, parecem-se com eles. Trabalham como se brincassem. Divertem-se enquanto realizam o sonho de serem artistas.

Lô Borges

O patrono da 30ª edição da FAMPOP dispensa apresentações: O mineiro Lô Borges já esteve os palcos do festival, fazendo o show da 3ª edição, em 1985, e também na edição de 2001.  Dono de uma trajetória um tanto quanto incomum na MPB, Lô foi e é, até hoje, um dos grandes ícones do movimento chamado Clube da Esquina, que revelou nomes como Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta e Flávio Venturini e os alçou ao primeiro time da MPB. Movimento este que, ao completar 30 anos, é revisitado e elevado à categoria de genial, sendo humildemente e mineiramente comparado à Bossa Nova, à Tropicália, ao Jazz americano e outros standards.

Numa época em que a maioria dos garotos só pensavam em jogar bola, Lô e seu amigo Beto Guedes dividiam seu tempo com a música. Muitos custavam a acreditar que aquele garoto pudesse ser tão talentoso como estava demonstrando, menos o tal do Bituca, que a esta época, já estava sendo mais conhecido como Milton Nascimento e causando furor por onde passava, graças a apresentações consagradoras nos festivais da canção daquela época. O garoto Lô só não podia imaginar que Milton, o então gênio em ascensão, acreditaria na força da música daquele garoto e o convidaria para dividir um disco inteiro com ele.

Como compositor, teve suas canções gravadas por grandes intérpretes da MPB como Milton Nascimento, Simone, Nana Caymmi, Gal Costa, Elba Ramalho, Elis Regina, Ney Matogrosso. A canção “Trem Azul’ foi gravada por Tom Jobim em 1990 e regravada em 1994 numa versão em inglês feita pelo próprio Tom em seu disco Antônio Carlos Brasileiro Jobim.