FAMPOP 2017

FAMPOP 2017
Espaço cedido para Cultura de Avaré

domingo, 11 de junho de 2017

MORRE WILL DAMAS


Conhecido em Avaré, Will Damas, que esteve no primeiro Festival Estadual de Teatro de Avaré – Feseste, bem como jurado e patrono do Festival em sua décima edição em 2016 faleceu neste domingo, dia 11, vitima de problemas de saúde que se agravaram.
O ator, pedagogo, diretor, iluminador, dramaturgo, ex-professor e coordenador do Teatro-Escola Macunaíma, Will Damas.  ator tinha  formação em Psicodrama pela Role-Playing , foi preparador da Oficina de Atores de São Paulo, além de coordenador dos professores da Oficina. Fundou o Engenho Teatral e o Grupo Clariô de Teatro. Também era membro da Sociedade Lítero-Dramática Gastão Tojeiro, do Grupo “A Palavra e o Gesto”, da Ing Ong. Idealizador e coordenador do Projeto Viajante Solidário, orientador do Projeto Ademar Guerra. Produziu quatro peças de teatro sozinho e mais de cem espetaculos em grupo.
 Atuou em cinema, teatro, TV e  produziu inúmeras peças. Personagem consagrado no mundo das artes cênicas, Wilson Damas Prodóssimo com certeza deixa sua marca na história da arte dramática brasileira.
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 Um pouco de um bate papo com Will Damas, revela seu amor pelo teatro 
WD - Comecei a atuar no teatro em 1965, eu já fazia televisão e não conhecia o teatro. Foi quando o Canarinho me levou para assistir uma peça infantil, no Teatro Infantil Monteiro Lobato (TIMOL). Após assistir o espetáculo, falei para o Canarinho: “Quero fazer isso aí!”. E ele me disse: “Não é assim, eu quero fazer.” Na época eu era todo metido a besta, pois já era da televisão e me achava o máximo.
Então fui conversar com o diretor, que era o Iaco Miller, disse que gostaria de atuar no teatro, e ele pediu para eu ficar trabalhando com eles durante um ano, e que se eu pegasse o “esquema”, atuaria em uma peça.
Fiquei aproximadamente oito meses acompanhando o trabalho dele, os laboratórios, as montagens das peças. E louquinho pra ser escolhido, mas ele me deixava de lado, me fez operar a luz, som, produção, ir atrás de figurino. Até que fui chamado para subir aos palcos, interpretando o Visconde de Sabugosa, a peça era “O Reino de Narizinho”, ficamos numa longa temporada de três meses.
Foi acontecendo deu começar a faltar muito na Record por conta das apresentações, embora teatro não desse muito dinheiro, essa não era sua preocupação. Por isso, fui me afastando da TV aos poucos. O começo da minha carreira foi bem dividido entre dança e teatro.
Quando dei por mim já estava apaixonado pelo teatro. Eu nunca tinha ido e falava que não gostava, quando assisti, vi aquela coisa e falei: “Caramba precisa de mais do que isso que eu sei para fazer teatro.” Essa dificuldade que me encantou, me instigou, esse retorno imediato do público. Esse corpo a corpo com as pessoas, que me fascinou.
Como enxerga a cultura no Brasil hoje? O governo concede a assistência necessária?
​​​Will-  A maioria dos problemas é culpa da nossa educação, não com o teatro. Quando se tira a aula de filosofia da grade horária nas escolas; E você diz para o “cara” que ele não precisa estudar, pois vai passar de ano, você quer o que? As pessoas deixaram de estudar, de se compreender, e principalmente de almejar conhecimento. Então isso faz com que a inteligência do público fique menor, e a exigência por bons espetáculos também, eles começam a responder a essa menoridade intelectual.
Chegou um período em minha vida que vi amigos meus falando, vamos montar uma comédia, mas para rir, uma que não fale nada. E isso foi evoluindo de tal forma, até começar essas comédias Stand Up, que o “cara” falando nada, contando uma história e que não diz nada. Eu não sou contra isso, mas eu sou contra SÓ ISSO.