quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Estudo aponta que o vírus da zika pode ser transmitido pelo pernilongo

 Apesar da descoberta, os cientistas alertam que não é preciso ter pânico

Por um ano e meio os pesquisadores do Instituto Agreu Magalhães, que é ligado à Fundação Oswaldo Cruz, no Recife, trabalharam no laboratório até conseguir fotografar o vírus da zika no organismo de mosquitos culex - mais conhecidos como pernilongo ou muriçoca. Os estudiosos dizem que essa descoberta é um alerta de que o Aedes Aegypti pode não ser o único responsável pela transmissão da zika.
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“Agora a gente pode afirmar que sim, ele é capaz, um potencial transmissor. A questão que ainda fica em aberto é qual o papel dele nessa transmissão. E esse então são os futuros estudos que estão em andamento”, explica pesquisador da Fiocruz, Gabriel Wallau.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores recolheram os mosquitos em casas da região metropolitana do Recife onde moram pessoas que tiveram zika. No laboratório, conseguiram identificar material genético do vírus na saliva do mosquito.
O resultado da pesquisa foi publicado esta semana em uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo. A descoberta dos brasileiros abre novos caminhos para as pesquisas e reforça a importância do saneamento básico para evitar novas epidemias de doenças graves.
“O mosquito ele está no ambiente porque a gente não tem saneamento básico adequado e a gente precisa voltar a discutir essas questões. O controle de vetor se existe uma espécie transmitindo que a gente tinha um programa de controle estruturado para ela e agora a gente descobre que existe uma segunda espécie que também pode transmitir a gente tem que adaptar e desenvolver ferramentas de controle para ela também”, diz a pesquisadora Constância Ayres.
A infecção pelo vírus da zika durante a gravidez é uma das causas do nascimento de bebês com microcefalia - uma malformação no cérebro que prejudica o desenvolvimento das crianças. Só em Pernambuco, 420 bebês nasceram com microcefalia desde o começo da epidemia, em 2015.
Apesar da descoberta, os cientistas alertam que não é preciso ter pânico. Controlar a proliferação dos pernilongos comuns pode ser mais fácil que eliminar os criadouros do Aedes Aegypti.
“A fêmea do mosquito deposita todos os seus ovos de uma vez só e criadouros onde tem água extremamente poluído como esgoto fossa canaletas então é fácil mapear identificar os criadores de culix enquanto que para o Aedes Aegypti é difícil então fica mais fácil de tratar os criadouros que a gente consegue ver”, fala Constância.