terça-feira, 28 de novembro de 2017

Huck diz que não é candidato e propõe ‘curadoria’ política




Apresentador de TV falou de vários temas e, a exemplo de Doria, sustentou que não é político.

PATRICIA MONTEIRO/BLOOMBER
Luciano Huck: ele falou sobre a ideia e “um selo de qualidade” que atestasse “a essência” dos candidatos em 2018.

O apresentador de TV Luciano Huck (sem partido) disse ontem que não é candidato a presidente “nesta eleição, neste momento”. Em evento promovido pela revista “Veja” em São Paulo e numa entrevista coletiva na sequência, repetiu várias vezes que nunca falou que seria candidato, embora tenha interesse em participar mais da política e de ter, segundo ele, mergulhado em estudos sobre temas como saúde, educação e segurança.

“Não sou candidato a presidente nesta eleição, neste momento [...] Nunca falei que era candidato”, reiterou. “Em minuto nenhum eu disse que era candidato”, reforçou depois. “Nunca levantei a mão para ser candidato”, insistiu.
Segundo ele, a primeira pessoa a aventar sua candidatura foi o economista Paulo Guedes, em 2015. Casado com a apresentadora Angelica e pai de três filhos, Huck, 46 anos, disse que a família não o forçou a desistir. E negou que “o dinheiro” tenha exercido influência na decisão, também exposta em artigo no jornal “Folha de S.Paulo”.
Mostrando-se à vontade na entrevista ao diretor da “Veja”, sentado em cima da perna em uma poltrona, Huck afirmou que sua geração precisa se aproximar da política. Disse que seu legado até aqui é “trazer uma turma que merece ser olhada”, dos movimentos Agora! e Renova BR. Afirmou ainda que, se fosse candidato, já teria “um gabinete montado” com pessoas desses grupos. “Quero jogar luz no que vem por aí. É importante dar espaço, olhar a nova geração que quer servir. Não consigo ver ninguém que possa aproveitar a oportunidade que a gente tem aqui. O sistema derreteu, a fratura é exposta.”
Huck disse que não ficará fora do debate político. “Minha contribuição presente é em curadoria de gente.” Depois, deu pista sobre o que seria isso: “Adoraria que no ano que vem tivesse um selo de qualidade que atestasse que a pessoa, independente se ela é de... da crença, que a essência é boa”.
Questionado se poderia rever a decisão e lançar-se candidato caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) continuem liderando, Huck fez silêncio, pensou por alguns segundos e brincou: “Pegadinha do Malandro!”. Disse então que sua decisão foi madura e segura e defendeu uma candidatura “de centro”, mas sem citar nomes.
Huck foi provocado a falar sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), seu amigo, acusado de corrupção na Lava-Jato. “Levante a mão quem não se decepcionou com um amigo. Óbvio que me decepcionei. Fiquei surpreso com modus operandi. Triste. Triste por ele, pelo sistema.” Afirmou ainda que não acha o governo Michel Temer honesto.
Huck defendeu ideias liberais, desde que acompanhadas por programas sociais. “Não sou nem de direita, nem de esquerda. Sou de bom senso [...] Não adianta ter só programa liberal. Tem que ter olhar afetivo. Tem que ter muitos programas sociais”. Fez questão ainda de elogiar o Exército e o general Eduardo Villas Bôas, comandante da Força. “Tenho muito respeito pelo Exército brasileiro. Não é corrupto. Ele é bem formado”.
O apresentador não quis dizer em quem votou nas últimas eleições para governador ou para prefeito do Rio. “O voto é secreto.”
E embora tenha dado muita ênfase à educação desde o início do evento, também não respondeu se é contra ou a favor da aplicação dos recursos do pré-sal na área. “Eu não vou discutir tecnicamente os recursos do pré-sal para a educação. Não teria propriedade para discutir isso.”
Mais adiante, falou um pouco mais sobre o que pensa nessa área: “Já tem muito dinheiro para a educação. Tem, sei lá, R$ 140 bilhões por ano. Então como é que você pode gerir esse dinheiro eficientemente? Como é que você pode contratar melhor? Como valorizar o professor? Cuidar da evasão? Fazer com que a escola seja em tempo integral? [...] É muito maluco pensar que você está em 2018 com 90% das escolas sem internet. De onde vem o dinheiro? Eu garanto que se o Estado for mais eficiente e não corrupto, vai sobrar dinheiro para investir na educação”.
Antes disso, no meio de uma outra resposta, Huck repetiu mantra usado por João Doria (PSDB) na vitoriosa campanha pela Prefeitura de São Paulo: “Eu não quero ser político. Eu não vou ser político, nunca. Eu não sou político”. De São Paulo
Luciano Huck desistiu de uma candidatura que jamais existiu. O apresentador nunca havia assumido a disposição em se candidatar. A desistência de alguém que jamais foi candidato torna-se algo assim tão importante pelo que nele foi projetado: o único capaz de vencer a polarização entre Lula e Bolsonaro. Pela atuação benemerente e carismática na televisão, ou, como ele mesmo diz no artigo publicado ontem na “Folha de S.Paulo”, por “gostar de gente”, Huck era avaliado como alguém que, se, de um lado, tinha capacidade de se relacionar com os mais pobres, do outro tinha como entusiasta o ex-presidente do Banco