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Haddad acena para Alckmin e atua como candidato real

Duas declarações do petista Fernando Haddad saltam aos olhos, na entrevista concedida ao Globo, ontem. A primeira, enquanto tirava fotos, comentou da luz que vinha da janela. “Dependendo do ângulo”, falou o ex-prefeito, “parece que estou no Alvorada.” A residência presidencial. E o segundo, mais ao fim. “Nós que temos uma atuação política precisamos ter a dignidade de defender a honra de um adversário”, explicou, para emendar. “Trabalhei quatro anos com o Alckmin, nunca ouvi comentário maldoso sobre ele.” Como diz Vera Magalhães, no BR18, a segunda tem explicação simples. “A estratégia parte do cálculo petista de que existe a possibilidade de o ex-prefeito ir ao segundo turno contra Bolsonaro.” Neste momento, precisará de votos da centro-esquerda que forem para o tucano.

A do Alvorada é mostra do difícil jogo duplo que o candidato faz desde a semana passada. Segue afirmando que Lula, embora inelegível pela Lei da Ficha Limpa, será o candidato do PT. Ao mesmo tempo, lembra por subterfúgios o óbvio. O candidato de fato é ele. Começaram a chegar ontem, em Brasília, militantes do MST que saíram em marcha pelo país para, quarta-feira, fazer no último momento o registro da candidatura Lula. O partido quer esticar a impugnação até depois de 17 de setembro. É a data em que as fotos vão para as urnas e o limite, pela lei, para que partidos substituam candidatos. A estratégia não é consensual.

Alon Feuerwerker: “A diferença oceânica entre as audiências do debate da Band e do evento paralelo feito pelo PT na internet vai fazendo cair a ficha de quem acreditava que esta eleição seria decidida ‘nas redes sociais’. E, como o noticiário já registra, o PT parece ter percebido que a campanha ‘alternativa’ já deu o que tinha de dar. Hora de virar a chave.”

Um estudo da AP/Exata, especializada em Big Data, avaliou 148 mil tweets emitidos durante o debate da Band. 20% deles eram falsos, produzidos por bots. Bots não atuam a favor de Marina Silva, que é a maior vítima deles. Bolsonaro e Lula têm as mais extensas redes de robôs atuando em seu favor. (Globo)


Em 2001, a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa cunhou a sigla URSAL. Estava ironizando um encontro do Foro de São Paulo, a agremiação latino-americana de partidos de esquerda. Aquela que ela chamou de União das Republiquetas Socialistas da América Latina era uma invenção, uma ironia. Que lhe escapou por total ao controle, sendo adotada como séria pelo escritor Olavo de Carvalho e se espalhando como fato na extrema-direita. Conheça a história do meme político do momento. (Folha)

Morreu na noite de ontem, vítima de um câncer no intestino, Cláudio Weber Abramo. Matemático de formação, porém feito jornalista, foi pioneiro no uso de dados para sustentar reportagens. Fundador da Transparência Brasil, Abramo foi um dos mais rígidos estudiosos — e críticos — da corrupção na vida pública brasileira. Viveu, por isso mesmo, dedicado a dar transparência aos números do governo. A Lei de Acesso à Informação é talvez um de seus maiores legados. Tinha 72 anos e estava internado no Hospital Samaritano, de São Paulo. (Folha)


Celso Ming: “A corrida ao dólar na Turquia se intensificou na semana que passou, por motivos que contêm certa dose de esquisitice. O governo Trump tomou as dores do pastor americano Andrew Brunson, preso pelo governo turco. Foi a principal razão pela qual Trump anunciou que castigaria a Turquia com um aumento das tarifas alfandegárias sobre o aço e o alumínio. Esse enfrentamento foi apenas o pretexto para a disparada do dólar que em apenas uma semana subiu de 5,08 para 6,43 liras turcas. Os analistas esperavam que a fuga de dólares seria detida com forte aumento dos juros. Na sexta, Erdogan avisou que os juros não subiriam mais. Para conter a crise, Erdogan apelou para o espírito patriótico dos turcos. Conclamou-os a sacar seus dólares, euros e ouro e que os transformassem prontamente em liras. O pronunciamento soou, é claro, mais como ato de desespero do que de recurso de política cambial.” (Estadão)

Pois é. Depois de cair mais de 20% na semana passada, a lira turca já caiu mais 11% hoje, depois que os mercados abriram na Ásia. Ontem, o principal regulador bancário do país restringiu a capacidade dos bancos locais de trocarem liras por moedas estrangeiras, e grandes bancos privados também anunciaram medidas para tornar mais difícil para as pessoas venderem suas liras por dólares. (New York Times)

O Banco Central Europeu está preocupado com a exposição de alguns dos maiores bancos da zona do euro na Turquia — principalmente o BBVA, o UniCredit e o BNP Paribas. E no Valor, um alerta: A turbulência deve deixar os investidores globais ainda mais criteriosos em suas apostas nos ativos de emergentes. Em um momento de análise caso a caso, os fundamentos econômicos ainda jogam a favor do Brasil. Mas as eleições complicam.


Cotidiano Digital

Para ler com calma: Um grande debate tomou a sociedade no último ano acerca do papel da internet na vida democrática. Se durante mais de uma década predominou o otimismo a seu respeito, os últimos anos inspiram cautela. Vozes críticas surgem por toda parte. Jeff Jarvis, jornalista e autor de uma série de livros sobre a natureza da rede, publicou na Atlantic talvez o melhor argumento para que a sociedade evite regular a internet. Para ele, é cedo demais para que a compreendamos de todo.

Trecho: “Google, Facebook, Twitter e a internet não são mídia. São algo novo que ainda não compreendemos de todo. A grande questão, claro, é responder o que a internet é e como ela se encaixa na sociedade. Estamos apenas começando a entender. Mas seu valor essencial está na conversa, não no conteúdo. A rede conecta mais de 3 bilhões de pessoas e permite a muitos que falem, ainda que não sejam ouvidos. ‘Repúblicas’, disse o falecido professor de Columbia James Carey, ‘necessitam de conversas, não raro cacofônicas, pois devem ser lugares barulhentos.’ Este barulho que ouvimos, às vezes estridente, é a sociedade negociando suas normas, seu futuro. É o barulho da democracia. Banir sites como o Infowars da maior parte das plataformas é sinal de que o processo começa a funcionar. A civilização está vencendo. As plataformas — assim como a mídia e os reguladores — talvez prefiram começar com uma série de regras. Mas não é assim que negociamos nossos padrões. É quando alguém avança o sinal que percebemos a necessidade de regra. Sabemos o que são pornografia, propaganda, trolls e spam quando os vemos, aí escrevemos as regras para controlá-los. Sem a internet, não teríamos #BlackLivesMatter e #MeToo. Veja sua timeline no Facebook. Duvido que encontre uma infestação de nazistas nela. Você encontra gatos. Amigos mostrando seus filhos ou falando de doenças, gente buscando conexões. Precisamos compreender o problema que encontramos: não é a tecnologia, mas o comportamento humano perante a tecnologia. As ações ruins de um pequeno — sim, pequeno — número de panfleteiros, trolls, misóginos, canalhas, ladrões. Estão manipulando as plataformas que, no máximo, foram otimistas demais a respeito do comportamento humano.”

Doug Field está de volta à Apple. Noutros tempos, ele havia sido responsável pelo desenvolvimento dos Macs. Mas, entre 2013 e maio, comandou a criação de um carro, o Tesla Model 3. Os rumores de que a Apple está trabalhando em seu próprio carro autônomo, que estavam adormecidos, voltaram à toda.

Cultura


Vidiadhar Surajprasad Naipaul, Prêmio Nobel de Literatura em 2001, morreu no sábado, enquanto dormia. “Vidia se foi gentilmente à noite”, escreveu a um amigo sua viúva, Nadira. Naipaul era neto de indianos que imigraram para Trinidad, no Caribe, e se educou na tradição britânica de Oxford. Muito por conta desta origem centro-asiática, americana e inglesa, esta mistura, assim como pelo hábito de viajar pelo mundo em longos mergulhos por culturas e políticas próximas e distantes, que frequentemente o compararam a Joseph Conrad. Uma comparação que abraçou e rejeitou mais de uma vez. Publicou o primeiro livro em 1957 e não parou desde então. Alternou entre ficção e não-ficção com igual brilhantismo — mas nunca delicadeza. “Nenhum país estava mais disposto a aceitar um colonizador”, escreveu sobre a Índia, “e nenhum conquistador foi mais bem-vindo do que o britânico.” Ou, sobre as ilhas do Caribe — “em nome do turismo, se vendem a uma nova escravidão”. Difícil até para seus amigos, numa longa e prolífica carreira, venceu também o Booker Prize. Seu romance mais conhecido, Uma Curva no Rio(Amazon), narra a história de um indiano num país recém-feito independente da África, nos anos 1970. Entre os Fiéis (Amazon), de 1981, é seu mais importante ensaio: um testemunho da ascensão do fundalismo islâmico na política. V. S. Naipual tinha 85 anos. (New York Times)

John Lennon ou Paul McCartney: Quem escreveu a célebre música In My Life (Spotify, YouTube)? Dois matemáticos analisaram durante seis meses e ‘à mão’ 70 músicas dos Beatles, compostas entre 1962 e 1966 baseando-se em cinco critérios: as notas utilizadas, as sequências de duas notas, os acordes, as sequências de dois acordes e os contornos melódicos. E afirmam: existe 98% de probabilidade de que tenha sido composta por Lennon.

Imagine Mônica frente a frente com o Superman. E Batman sendo o companheiro de aventuras de Cebolinha. Pois é. Vai acontecer. Mauricio de Sousa, a editora Panini e a DC Entertainment anunciaram uma parceria inédita com o crossover entre os personagens da Turma da Mônica e os heróis e supervilões da editora DC Comics. O encontro estará nas edições de dezembro das revistas Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento e Turma da Mônica — a Turma da Mônica Jovem também terá suas edições de dezembro e janeiro dedicadas ao encontro. (Estadão)


Viver


A Monsanto sofreu um duro golpe na última sexta-feira: foi condenada nos EUA por não advertir que seu agrotóxico podia ser cancerígeno. Deverá pagar quase US$ 290 milhões a Dewayne Johnson, vítima de um linfoma incurável causado pelo produto. Johnson, de 46 anos, atribui o câncer ao fato de ter aplicado herbicidas baseados em glifosato nos terrenos da escola onde trabalhou entre 2012 e 2014. A Monsanto, que enfrenta milhares de processos semelhantes, afirmou que vai recorrer e que décadas de estudos comprovam que o pesticida é seguro.

Enquanto isso... O Brasil é o campeão mundial de uso de agrotóxicos. Dados preliminares do Censo Agropecuário mostram que a quantidade de propriedades rurais que usam essas substâncias aumentou: comparada com a edição anterior da pesquisa, de 2006, a cifra cresceu em 20,4% no levantamento realizado ao longo de 2017.

Após um adiamento ocasionado por um problema técnico no sábado, a Sonda Solar Parker, primeira nave espacial construída para “tocar o Sol”, foi lançada ao espaço na madrugada de ontem. Sua missão é resolver um mistério que há tempos intriga os cientistas: por que a temperatura da ‘atmosfera’ do Sol é muito maior do que a da sua própria superfície? A sonda também é o objeto mais rápido já construído pela Humanidade: nos sete anos previstos de operação, ela deve cruzar a corona 24 vezes, a velocidades de cerca de 720 mil km/h nas maiores aproximações — a essa velocidade, uma viagem entre Tóquio e Nova York levaria apenas um minuto. (Globo)

Assista ao momento de seu lançamento.


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