TV AVARÉ - ESPECIAL - “Uma Verdade Histórica - A Origem da Emapa”

  • Baseado na obra "Uma Verdade Histórica - A Origem da Emapa".
  • O documentário conta a história de Mano Nogueira, um importante agropecuarista radicado em Avaré. Entusiasta das artes, Mano, revolucionou o meio agropecuário e teve como ápice na carreira a criação de um dos eventos mais importantes da nossa região a Emapa.


Sobre o documentário - A Emncena Filmes produziu o documentário “Mano Nogueira - Sua Vida, Sua Obra” baseado no livro “Uma Verdade Histórica - A Origem da Emapa” escrito por seu sobrinho Alfredo Marques do Vale Junior, testemunha ocular dos fatos nele retratado. Não se sabe ao certo se por força do acaso ou do oportunismo, mas o fato é o nome de  Mano Nogueira foi esquecido da história da EMAPA. Dessa forma, tanto o livro quanto o documentário corrigem versões paralelas sobre a responsabilidade da criação do evento, acendem os holofotes sobre a esquecida primeira Emapa realizada na Associação Atlética Avareense em dezembro de 1965 e atestam o grande legado deixado por Mano Nogueira através de documentos oficiais, fotos e depoimentos de Clóvis Gonçalves Guerra e Tininho Negrão, registros importantíssimos de personagens que não estão mais entre nós e que contribuíram com a história da nossa cidade. O documentário foi alimentado pelas pesquisas de Alfredo Marques do Vale Junior, narrado pelo músico Kleber Silveira e dirigido por Amauri Albuquerque.

  • QUEM FOI MANO NOGUEIRA
Um pouco sobre a história da EMAPA


Agenor Nogueira Filho, o Mano, o segundo da esquerda para direita foto site A Bigorna

Filho de Agenor Nogueira e Izolina Paes Nogueira.
Pelo lado paterno era neto de Custodio de Assis Nogueira e este filho de Francisco de Assis Nogueira (pai) que tinha outro filho também chamado Capitão Francisco de Assis Nogueira Filho e este tendo saindo de Botucatu permaneceu em Avaré onde foi vereador antes de partir para o sertão. Comprou terras na região da alta Sorocabana, onde fundou a cidade de Assis que leva seu nome. Outro filho de destaque foi o Tenente Coronel Braz de Assis Nogueira, bisavô do professor Aquilino Nogueira Cesar ex-presidente da Câmara Municipal de Avaré. O Tenente Coronel aparece em um livro apontado como a pessoa de maior destaque em sua época a aderir à reforma protestante. Pelo lado materno o Mano era neto do Capitão José Paes de Almeida, destacado líder político de Botucatu. Sua avó (esposa do capitão) Dona Mariana, ao falecer deixou grande herança considerado na época o maior inventário que até então havia ocorrido em Botucatu.
Seu pai Agenor Nogueira foi vereador em diversas legislaturas na cidade de Botucatu, e no livro “As Ruas de Botucatu” sua biografia o aponta como um destacado comerciante de gado e introdutor do gado Zebu na região, “na pecuária foi um dos primeiros a adotar o sistema de rotação de pastos”; “introduziu métodos racionais de lidar com o gado vacum e outros abolindo a pancadaria, gritos e atropelos (podemos dizer que já praticava a doma racional, pois não permitia o uso de esporas e relhos e não permitia corridas de cavalo! Ou qualquer mal trato a animais!). (os parêntesis são nosso) Foi um dos precursores- senão o precursor- do enleiramento permanente, (nas lavouras de café) merecendo especial referencia do agrônomo Rogério de Camargo.”
Ainda o pai do Mano no começo do século passado não contratava funcionário que mantinha pássaros em gaiola e não permitia o uso de estilingue em sua propriedade. Quando via alguém com um em suas terras tomava e destruía. Não permitia a derrubada da mata ciliar; entre outros construía a curva de nível em suas terras. Só plantava no sentido da curva.
Foi proprietário da Fazenda Itaúna vendida ao Sr José Saab, em seguida adquiriu a Fazenda Betânia em Barra Grande, para onde se transferiu em 1946, vindo a falecer em 1952. A qualidade desta Fazenda era bem inferior à anterior e a decadência econômica foi uma conseqüência inevitável. Com seu falecimento, as terras foram fracionadas entre os vários herdeiros e dado a baixa fertilidade do solo se tentou de várias maneiras sua recuperação. Sob a orientação do agrônomo Dr. Odilon Nogueira o Mano depois de assistir a uma palestra, deu início a uma experiência, adotou o termo “Rotação de Pastagem” e passou a dividir os pastos em piquetes e deu início a vários procedimentos. Um deles era deslocar o cocho de sal deixando por algum tempo em um local e em seguida mudar para outro promovendo assim uma distribuição por igual do esterco. O gado permanecendo mais tempo ao redor do cocho com o sal, fertilizava o solo de forma ordenada distribuindo por todo o território. Havia porem alguns entraves. O capim era o nativo e tinha seu próprio ciclo, na época das chuvas florescia para em seguida desaparecer deixando o solo completamente descoberto faltando assim comida para o gado.
Em uma viagem, o dep. Braz de Assis Nogueira irmão do Mano trouxe uma gramínea a pangola. Criou-se uma grande expectativa. Com a rotação e mais a gramínea tudo haveria de melhorar. Porem não demorou muito para a decepção, pois a nova gramínea não suportava o pisoteio e bastava o gado caminhar que ela desaparecia. Porem o método foi aprovado, pois o número de gado no mesmo pasto aumentou. E agora era sensivelmente melhor, mas distante do pasto em uma boa terra!
Ao lado desta experiência o Mano deu início a outros projetos: Contando com a participação de alunos da Faculdade de Botucatu, ainda na década de 60, deu início à inseminação artificial do gado. E promoveu a integração da ovinocultura com gado. Neste tempo freqüentava sempre os cursos em Itapetininga e eu mesmo fui a um deles
Sem perda de tempo iniciou a seleção de gado de raça e passou a freqüentar as exposições. Foi premiado em várias delas, mas o maior capital foi ter feito inúmeros amigos entre os maiores criadores de gado do Brasil e que freqüentavam sua casa.
Sempre participava nas exposições de gado. À sua volta havia sempre algum interessado comentando sobre sua participação.
No desfile do Centenário de Avaré, participou com um carro alegórico apresentando uma fiandeira com uma roca, tecendo a lã que era produzida em sua propriedade.
Por esse tempo participava ativamente em muitos eventos e instituições como o Rotary e foi um dos organizadores da Associação Rural de Avaré e veio a ser seu presidente em 1966, ano da segunda Emapa.
Em uma conversa com o João Tezza poucos dias antes de seu falecimento me dizia que conversava muito com o Mano na Associação Rural, sobre a realização de uma exposição em Avaré.
Em conversa recente o Flávio Fernandes, filho de Dona Florisa, me contou que saindo de umas das reuniões do Rotary foram até sua casa e o Mano dizia, “vamos organizar uma exposição aqui em Avaré?”
Ao voltar de uma das exposições em Itapetininga reuniu em sua casa os agropecuaristas de Avaré. Depois de muita conversa a decisão tomada foi a de que o Mano deveria procurar o prefeito Dr. Paulo Araujo Novaes, e propor a realização de uma exposição em Avaré. E isso foi feito. Em companhia do vereador Alfredo Marque do Valle seu cunhado, foram e receberam o aval do prefeito. Ficou definido que a Exposição seria Municipal e Agro Pecuária e de Avaré. Compondo a sigla EMAPA.
Em seguida foi composta a comissão organizadora sob a presidência do Mano com todas as pessoas relacionadas no catálogo oficial da primeira EMAPA (a relação consta em nosso artigo, ”Assim Nasceu a Emapa”).
Quanto à sua vida particular o Mano enfrentava terríveis problemas. Foi diagnosticada uma patologia renal grave.
Com o golpe Militar de 1964, e a implantação das medidas econômicas, passamos um período de recessão que abalou de forma implacável sua vida econômica (em todo lugar a “quebradeira” foi geral). Passou a depender cada vez mais de empréstimos, que o levou a uma situação de inadimplência e muitas dívidas se acumularam,ficando sem condições de pagar. Por outro lado a inflação corroia cada vez mais suas finanças. Seu relacionamento familiar se deteriorava. Sua vida social passou a ser cada vez mais conturbada. Alem de ver cada vez mais seu patrimônio definhar, seu relacionamento piorava a olhos vistos, seu problema nos rins se agravava, e hoje sabemos que este tipo de patologia leva a pessoa a ter um comportamento atípico (seria o bipolar?). Alternando momentos de bom humor com outro de agressividade. 
Depois de criar a Emapa e ter sido o primeiro presidente e ter conseguido consolidá-la, foi afastado, mas nunca deixou de participar até quando lhe foi possível. (apesar disso os grandes expositores não o esqueceram quando vinham para a Emapa não deixavam de freqüentar sua casa e sempre esperavam que um dia ele ainda pudesse voltar; eram seus amigos).
Uma grande tragédia se deu: seu filho do meio, depois de ter pegado escondido o carro de sua mãe da garagem, foi em direção ao Estado do Paraná onde sofreu um acidente fatal. Com a separação da esposa por divórcio, deu início a um namoro tido em Avaré como “escândalo” (“aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra”), com uma artista de Televisão que chamava mais a atenção por seu lado excêntrico que por qualquer outro atributo, a Wilza Carla que veio a desempenhar o papel de Dona Redonda em umas das novelas da Globo.
A decadência econômica fez com que viesse a vender sua Fazenda e o pouco que lhe restou, com muita dificuldade pode transferir-se para Londrina onde vivia graças à hemodiálise esperando por um transplante que pudesse lhe salvar a vida. É bom lembrar que neste tempo a técnica ainda era incipiente e o risco de rejeição era imenso. Depois de um transplante foi vítima da rejeição. Sua saúde entrou em colapso até que em dezembro de 1978, veio a falecer.
E a Emapa ficou para os que têm dado continuidade a sua grande criação.


Resta-nos perguntar:


- Teria sido em função destes fatos que tão devotado cidadão não recebe por parte das autoridades o reconhecimento de sua participação efetiva na consecução da EMAPA?
- Qual é a dificuldade para o reconhecimento de que sua participação foi decisiva e que sem ela dificilmente teríamos a EMAPA da forma como a conhecemos?
- Estaria faltando mais provas alem das que já apresentamos?
- Estaria faltando mais depoimentos alem dos já apresentados?
Não podemos acreditar que seu comportamento na vida particular possa ser a desculpa para o não reconhecimento de sua grande obra. Ou seja, a EMAPA.
Penso que ainda seja tempo da reparação. Temos aí sua viúva, pois voltaram a contrair novas núpcias. Uma mulher de quase oitenta anos que passou por toda essa tragédia.
Viu seu patrimônio ruir.
Perdeu seu filho do meio de forma trágica.
Perdeu o marido em momento de grande dificuldade.
Perdeu seu filho mais velho com o mesmo mal que acometera seu marido.
Doou a ele um de seus rins, mas houve rejeição.
E este veio a falecer enquanto aguardava um novo transplante.
O último filho que lhe resta vive com um órgão transplantado. Posto que esteja afetado pela mesma patologia do pai e do irmão.
Frente ao exposto esperamos que houvesse sensibilidade e se promova um reconhecimento público a tão devotado cidadão por parte das autoridades a quem tanto fez por Avaré, na figura de sua viúva.
E que se faça algo para marcar de forma permanente e inequívoca este fato.
“Povo bom e gentil em teu seio forasteiro encontra guarida”
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