CRONICA/OPINIÃO - MEMÓRIAS DE UM “TIO” – o livro - Guma Castellucci

  • MEMÓRIAS DE UM “TIO” – o livro
Autor: Guma Castellucci
Lançamento: ?


Olá Amigos do Guma, devem estar estranhando o título desta crônica, não?
Pois é, na verdade eu vou trazer para os leitores da Coluna do Guma, (meus AMIGOS preferenciais, pois estão faz tempo dedicando-se a leitura destas histórias que permitiram ao Taquaritubense Gumercindo Castellucci Filho passar a ser o Jornalista Guma Castellucci, e, portanto merecem este respeito) os textos embora de forma resumida, capítulo por capitulo, do livro que será (um dia) lançado. Então vamos começar “do começo”...
Capítulo I (parte I) 
Poderia começar a relatar “Memórias de um TIO” em qualquer tempo.
Porém tomei por base inicial o ano de 1973, por quê???
Bom, na verdade porque eu considero este ano como um ano importante, pois afinal ai começou uma história diferente que veio a influenciar comportamentos que perduram até hoje.
Acredito que boa parte de minha geração (a geração dos que hoje são chamados de “tios”) vai lembrar quando as noites de domingo eram “invadidas” pelo “velho guerreiro”... é isto mesmo até este ano o “FANTASTICO” ainda não existia.
As disputas de domingo estavam entre Silvio Santos (havia sido também da Rede Globo, naquela época conhecida por Canal 5, devido ao número do canal em VHF por esta ocupado) que fazia seu programa durante todo o “domingão” pelo Canal 7 (hoje Rede Record), líder de audiência da tarde e filmes do “Canal 5” e após no inicio da noite o “Programa do Chacrinha”.
O Chacrinha com sua calça pelos joelhos, atirando bacalhau na platéia e chamando “Terezinhaaaaaaaaaaaaaaaaaa” era a grande atração desta que hoje é a Rede Globo.
Com a entrada do “Fantástico” o “velho” passou inicialmente a programas semanais nas noites de terça e finalmente virou o grande astro dos sábados com seu “Cassino do Chacrinha”.
Eu disse que esta época (ano de 1973) influenciou novos comportamentos, pois é o Fantástico foi uma grande ferramenta que permitiu a TV Globo se transformar numa líder de audiência o que com certeza influenciou muito no pensamento e na decisão de pessoas que como eu mesmo tinha como opção de lazer, assistir TV.
Entenda-se que eu na época tinha doze anos e diferentemente dos dias atuais não podíamos sair na noite.
A correria matinal era impressionante, pois as aulas começavam as 07h00min horas e tínhamos que estar uniformizados (camisa branca, calça azul marinho conga no pé (azul marinho e impecavelmente limpo) na porta da nossa instituição de ensino antes, pelo menos cinco minutos, para entrarmos “em forma” e cantarmos o Hino Nacional no hasteamento à Bandeira. Esta solenidade perdurou até o final de 1973 e desde o inicio do Governo Militar que nesta época estava em seu auge.
Eu lá estava cabelinhos penteados, dentes escovados à exaustão, afinal a Dona Maria (minha mamãe) ficava “no pé”, pois o dentista que periodicamente (mas não regularmente) ia à escola examinar nossos dentes e mandava recadinho na “Caderneta do Aluno” dizendo da necessidade de cuidados com os mesmos, que começavam a despertar atenção dos profissionais do ramo, que até então eram, mais “Tiradentes” que propriamente “dentistas”, mas que ainda assim o máximo que se tinha nos gabinetes odontológicos eram as obturações.
Agora um pequeno aparte no que diz respeito à caderneta escolar (do aluno), pena que não tenha guardado nenhuma das minhas para mostrar a vocês, algo muito especial que mais parecia um passaporte e onde tudo era anotado, faltas, notas e por ai vai... o perigo era as observações de comportamento apontadas pela nossa Diretora... meu Deus!!!
Voltando ao hasteamento, lá estava eu com os óculos “fundo de garrafa” fruto da miopia que me obrigou ao uso de óculos desde os oito anos e um dos grandes motivos, embora não o único, de não ter sido a exemplo de meus amigos (a maioria) grandes jogadores de vôlei, basquete e handebol, pois se tirasse os óculos, xiiiiiiiiiiiiiiii... - Após cantarmos o nosso hino (naquela época tínhamos que saber “décor e salteado”, na “ponta da língua” o Hino Nacional e o da Independência (vai vendo) entravamos para as aulas onde os professores eram verdadeiros deuses devido ao imenso grau de respeito que tínhamos pelos mesmos. Eu penava na Matemática (que mais a frente foi, no entanto, a disciplina que provocaria uma mudança importante no meu comportamento, e simbolizou inclusive o inicio do meu processo de superação de certa gagueira que me perturbava, graças à rígida disciplina imposta por um professor que me acompanhou a partir da sétima série), caramba, como era difícil.
Mas, em contrapartida, arrasava nas aulas de Ciências (Professores Guido, saudoso que impunha respeito, com a necessária autoridade de um grande mestre, logo depois meu ainda amigo com o qual anos mais tarde compartilhei viagens para cursar a Faculdade de Direito, José Osório) Português (Professor Luiz Bragança, símbolo da retidão ao qual asseguro uma grande nota no meu aprendizado) e em História (nossa como era linda a professora de História (uma jovem ruiva que realmente era fonte de inspiração para a “molecada”, presença maciça em suas aulas nas sextas feiras), alguém se lembra dela (alguém de Taquarituba, é claro), há meuuuuuuuuuuuu Deus!... 
Capítulo I (parte II)
Como dizia na semana passada... eu penava na Matemática (que mais a frente foi a disciplina que provocaria uma mudança importante no meu comportamento, e simbolizou inclusive o inicio do meu processo de superação de certa gagueira que me perturbava, graças a rígida disciplina imposta por um professor que me acompanhou a partir da sétima série, na edição passada eu falei sexta, mas na verdade era sétima, ok?), caramba, como era difícil. Mas, em contrapartida, arrasava nas aulas de Ciências (Professores Guido, saudoso que impunha respeito, com a necessária autoridade de um grande mestre, logo depois meu ainda amigo com o qual anos mais tarde compartilhei viagens para cursar a Faculdade de Direito, José Osório) Português (Professor Luiz Bragança, símbolo da retidão ao qual asseguro uma grande nota no meu aprendizado) e aí “parei na história” da História... que meu amigo PENNA lembrou no “ato” hehehe... pois é mas que a Professora era bonita, há isso era mesmo...mas pensem...em plena ditadura militar, numa educação rígida como tínhamos na época, jamais um aluno iria “faltar com o respeito” com uma professora e o máximo que nos sobrava era mesmo a admiração platônica. Outra coisa comum que fazíamos na época era olhar da janela da sala de aula (sempre estudei na ala esquerda da Escola José Penna, que dava acesso as quadras de esportes e ao estacionamento, em Taquarituba, aliás, o nome de nossa escola homenageava o grande político e primeiro Prefeito de nossa cidade que era avô (talvez bisavô, tio avô, não me lembro direito) do acima citado Penna, Josué Penna Junior, que juntamente comigo era premiado (e dispensados da prova final) como melhor aluno da sala - em 1973 era uma grande honraria e orgulho para toda família ser “o melhor da sala”- e ganhar presente do Professor mais temido da escola, o já citado Professor Guido, era o que todos sonhavam - tenho ainda hoje uma caneta que ganhei dele, no mesmo ano Penna levou o livro BANANA BRAVA) para ver os Professores chegarem com seus carros que provocavam suspiros na rapaziada, Geraldo Quartucci tinha uma Variant Branca novinha muito linda, que ficou tempo com uma licença para uso, devido à costumeira demora em chegar às placas (aquelas amarelas de duas letras e números), aliás, Geraldo Quartucci também faz parte da lista de professores memoráveis de nossa escola, o grande mestre das aulas de Educação Física que levou a EEPSG José Penna a ser campeã regional de vôlei, sem é claro a participação de dois de seus “melhores atletas”, Gumercindinho (Guma) e Gininho (Chamorro) “craques demais”... que nunca tiveram o prazer de jogar no mesmo time, sabem por quê? Kkkkkk só sobrávamos nas escolhas para compor o time e cada um ia para um lado... vai vendo! Desculpa aí colega Gino... grande amigo e irmão (GCF & GCF hehehe). O Professor José Osório tinha um Corcel GT, branco, aquele que tinha faixas pretas, também um carro bacana demais, cheio de reloginhos e tal... a professora Ana Maria (de Canto) - vou falar dela na edição que vem, tinha um Fuscão 1600 S o famoso “bizorrão” de cor exótica (demais) para a época – amarela. Ela chegava ouvindo São Francisco Nights (Harpo), heheheh e pensa no sonzão do carro, um TKR “cara preta” cheio de alto falantes e twitters (de onde deriva o nome usado na rede social), para tudo que é lado, tchi tchi thi...
Agora o carro da Professora de História (aquela mesmo) sem chances... meu ela tinha um MP Lafer muito lindo não tinha quem não olhasse (para ela ou para carro? difícil saber), na região inteira era único, não tinha prá ninguém, e ela curtia muito MPB... “Preta Pretinha” (Novos Baianos)... ai ai ai ai saudade não venha me matar... eu ia lhe chamar ...lhe chama...lhe chama...eu ia lhe chama enquanto corria a barca...” suuuuuuuuuuuucesso que levava a moçada ás janelas, na chegada da querida professorinha ...claro que chegava ouvindo música num volume baixo, mas nada que impedisse nossos aguçados ouvidos de ficarem atentos ao inconfundível ronco do MP com um fundo de MPB..semana que vem eu falo sobre as aulas de Canto...sei que prometi nesta semana, mas é que vou aqui escrevendo e lembrando de fatos novos acabo usando todo o espaço.
Olha aí, agora me bateu uma saudade grande mesmo - neste instante, do tempo, e de um colega, gente boa prá caramba, que deixou nosso convívio muito cedo e que curtia o som que estou ouvindo nesse momento aqui na Rádio Guma (www.redeguma.com) – Kung Fu Fighting – Carl Douglas – o grande amigo JAPA Wilso Fukuda... cara bom demais... e ainda, com toda sua força e tamanho, defendia o colega Guma das enrascadas tipicas de meu tempo, daquelas - “Vou te pegar na rua hem?” ...
Lembro que alguns dos veículos e músicas citados aqui podem não ser necessariamente ligados ao ano de 1973, mas servem como referencia, pois fizemos isto da 5ª à oitava 8ª série...
E segura aí meus amigos, Marco Lorenz, Pato, Cássio Panzarini, Walber, João Paulo, André Gomes, ...e ainda tem muito mais...que é chegada à hora de histórias comuns...heheeh...e quem se lembra do Professor Tico aí? Boa praça...
E ai também vem ...os amores...ainda me lembro da gente sentado ali, na grama do aterro sobre o céu...não não chore mais não não chore mais hehe...mas se Deus quiser tudo tudo vai dar pé...no woman your cry...Gilberto Gil...esta parte dos amores hiiiii vou ter que rever isso
Capítulo I (parte III)
Conforme venho contando a vocês, estamos ainda em 1973 e naquela época tínhamos aula de CANTO na escola, e também como eu disse antes tinha um pequeno (porém traumático) problema de gagueira e o fato de existir esta disciplina me motivou bastante, pois como sabem cantar ajuda na pronuncia de um gago. A professora era bem jovem e muito simpática de nome Ana, uma pessoa adorável, boazinha e que (acreditem) levou todo o meu grupo a fazer uma apresentação musical impagável no dia das mães de 1973 e pasmem!!! Eu cantei... háháhá, - bom na verdade aí tem uma historinha – é o seguinte eu como disse tinha aquela certa gagueira e na 5ª série estava um pouco acentuada no momento em que a Professora começou a selecionar os que iam integrar o grupo de cantores, eu fui escolhido. A felicidade foi grande no momento em que ela me selecionou juntamente com os meus amigos mais chegados, mas durou um pouco, pois uma das colegas disse –“Professora, ele é meio gago”, aí nossa professorinha, como disse muito boazinha, mas um tanto quanto inexperiente e sem saber que cantando a gagueira poderia ser superada e ainda tentando não me deixar sentir excluído pediu para que tocasse um chocalho (vexame, feito de latas de “toddy” com arroz dentro. E lá fui eu chocalhando junto com o grupo.
A música? Esta é para o meu amigo João Paulo, que hoje mora em Avaré...
Assassinaram o camarão
Assim começou a tragédia no fundo do mar
O caranguejo levou preso o tubarão
Siri seqüestrou a sardinha
Tentando fazer confessar
O guaiamu que não se apavora
Disse: eu que vou investigar
Vou dar um pau nas piranhas lá fora
Vocês vão ver, elas vão ter que entregar
Vou dar um pau nas piranhas lá fora
Vocês vão ver, elas vão ter que entregar
Logo ao saber da notícia a tainha tratou de se mandar
Até o peixe espada também foi se entocar
Malandro foi o peixe galo
Bateu asas e voou
Até hoje eu não sei como a briga terminou
Malandro foi o peixe galo
Bateu asas e vôo
Até hoje eu não sei como a briga terminou
*(Originais do Samba
Música: Tragédia no fundo do mar (Assassinato do camarão) (Ibrain - Zeré) Álbum: Pra Que Tristeza Gravadora: RCA Victor Ano: 1973/1974.)
Chora não amigo João!!! hehhehe...
Nós tínhamos também aulas de Técnicas Agrícolas onde aprendíamos e tínhamos que fazer de fato canteiros de uma horta que nos obrigava vir à escola todas as tardes para regar os referidos canteiros, de nossa responsabilidade e valia presença e nota. As meninas tinham, no lugar desta, aulas de Economia Domestica. E segura aí meus amigos, Marco Lorenz, Pato, Cássio Panzarini, Walber, João Paulo, André Gomes, Carlos Benini, Tuio, Carlos Cecilio, Fukuda, Gino, ... e ainda tem muito mais...que é chegada à hora de histórias comuns...heheeh...e quem se lembra do Professor Tico aí? Boa praça...
Lembrei-me escrevendo isso, dos doces da Cantina na Escola, que era cuidada pelo “seu” Jordão, que tinha um filho de nome Tadeu que estudava na minha classe, Gotas de Pinho Alabarda, drops Dulcora, Chucola, Dadinhos, da Diziolli, Pingo de Leite. Já na porta da escola às vezes tinha gente vendendo machadinha e puxa-puxa. Em casa fiz minha mãe comprar latas e latas de Toddy para ganhar o mascotinho do Toddy, um índio. E dentro dos vidros de Toddy vinham vários tipos de bonequinhos que eu colecionava. Cara dá uma saudade de tudo isso, não é?

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