Na década de 60, quando o compositor Paulo Vanzolini escreveu a canção Volta por Cima, talvez nem tenha imaginado que com estes versos “Reconhece a queda / e não desanima. / Levanta, sacode a poeira / e dá a volta por cima”, estaria estimulando àquele que caiu a usar os recursos da resiliência, deixando para trás o motivo da queda e prosseguindo na caminhada.


Talvez nem pensasse ele que tais versos seriam utilizados não apenas pelas pessoas para transmitir ânimo, determinação e força aos outros, mas, também, que seriam citados por psicólogos para explicar didaticamente o conceito de resiliência.


E como definir tal palavra? Antes vista como algo semelhante à perseverança, o seu significado evoluiu, ampliou-se, assumiu nova conotação. Melhor esclarecendo, segundo o sociólogo Aaron Antonovsky, pai do estudo da resiliência, era tida como uma maneira de atingir objetivos maiores – funcionalidade e felicidade – como um objetivo em si, ao qual ele chama de “senso de coerência”.


Atualmente, sua definição é muito mais tida como a capacidade que todo ser humano pode desenvolver para enfrentar dificuldades, superar obstáculos, vencer dores. Enfim, adaptar-se a experiências negativas e transformá-las em situações positivas, mesmo que o indivíduo tenha que dar um novo rumo à sua vida, traçar novas metas para suas atitudes.

Os profissionais da área de saúde inclinam-se a dizer que a pessoa não nasce resiliente. É necessário aprender a ser “flexível diante das adversidades, a tolerar as frustrações e, diante dos problemas, tentar encontrar uma saída”, conforme assegura a psicóloga Luciana Gropo, integrante da Associação de Terapias Cognitivas do Estado de Pernambuco.

Essa saída de que fala Luciana Groto, pode ser encontrada mundo afora, das mais diversas formas “de ser”. Citemos apenas quatro pessoas, mas indiscutíveis figuras emblemáticas representativas de tantas e tantas outras do passado e do presente: a escritora Hellen Keller, o escultor Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho -, o maestro João Carlos Martins e o cantor Andrea Bocelli.

Entretanto, nem todos os indivíduos conquistam sozinhos essa capacidade resiliente e isso não constitui nenhum demérito. Apenas são pessoas necessitadas de que alguém lhes possa oferecer um apoio mais efetivo, oferte-lhes uma escuta acolhedora, estenda-lhes uma mão receptiva, ofereça-lhes um ombro amigo. O CVV pode ser esse apoio, essa escuta, essa mão, esse ombro… E poderá chegar o momento no qual a pessoa consiga levantar-se, sacudir a poeira e dar a volta por cima.


Bartyra
CVV Recife (PE)