TRAGÉDIA - Passageiro do caminhão comenta o gravíssimo acidente em Taguaí

O passageiro do caminhão que sobreviveu após se envolver em um acidente com um ônibus, em Taguaí, na região de Avaré, afirmou que não deu tempo de evitar a colisão no quilômetro 172 da rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, na quarta-feira (25/11/2020). 41 pessoas morreram após a batida, entre elas o caminhoneiro Geison Gonçalves.


Ao G1, Danilo José Oliveira Camargo, que sofreu ferimentos leves, contou que descarregaram carga em Taquarituba na noite anterior e seguiu com Geison para Castro (PR), quando foram surpreendidos pelo ônibus na contramão da via realizando ultrapassagem.

A pista é de mão única e ultrapassagens são feitas na contramão em pontos específicos onde não há faixa continua. No local da batida, a ultrapassagem é proibida.

“Estávamos carregando em Taquarituba e, depois, dormimos. Saímos cedo e, depois de rodado cinco minutos após sair do posto, estávamos em uma curva, na nossa mão, quando o ônibus começou a ultrapassar. Meu amigo falou só ‘o ônibus’ e já batemos. Não deu tempo de nada. Meu amigo chegou a tirar o caminhão, mas não conseguiu e pegamos em cheio”, 

relatou.

Ainda segundo Danilo, o acidente foi chocante. 

“Eu fico triste pelo meu amigo e pelas famílias do ônibus. Muito triste. Só fico contente por não ter acontecido nada comigo”, 

diz.

Geison, motorista do caminhão que também morreu no acidente; companheira disse ao G1 que ele não era habilitado para conduzir caminhão

O caminhoneiro Geison não tinha habilitação para dirigir caminhão, segundo informou a companheira ao G1.

Segundo ela, o companheiro não era habilitado para categoria D, tinha apenas habilitação provisória para carro e, por isso, levava outro caminhoneiro junto nas viagens. 

“Ontem, foi nossa última conversa à noite, quando ele me disse que tinha parado para dormir, que hoje acordaria cedo para viajar”, 

lembra.

“Está sendo um momento muito difícil. Era um jovem trabalhador, era cheio de planos. Passamos o final de semana juntos, me contou dos seus planos para o futuro”, 

lamentou.

  • EMPRESA CLANDESTINA – A empresa de ônibus Star Viagem e Turismo, envolvida em um acidente com 41 mortos em Taguaí, não tinha autorização para operar, segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo, a Artesp. O G1 tentou contato com representantes da empresa, mas não obteve sucesso.

O G1 apurou que a empresa já foi multada várias vezes e era considerada clandestina pelo órgão fiscalizador. Nem no site da Artesp nem no da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) há registros sobre a Star Viagem e Turismo – empresa criada em 2016 e com sede em Taquarituba, segundo dados da Junta Comercial do Estado.

O veículo envolvido na batida, com placa DJC 8811, acumula 11 multas – 2 municipais, 1 do Detran e 8 do D.E.R. Além disso, estava com IPVA, licenciamento e DPVAT atrasados, ou seja, não poderia estar em circulação. São mais de R$ 5 mil em débitos.

Segundo a Artesp, 

“A empresa não possui registro para transporte de passageiros e roda ilegalmente desde 11 de outubro de 2019”.

A agência detalhou as fiscalizações mais recentes que envolveram a Star Viagem e Turismo: 

“Em ações fiscalizatórias recentes, no mês de março de 2020, foram registradas algumas infrações à empresa: no dia 3, a Star foi multada por realizar fretamento irregular na Rodovia Raposo Tavares, próximo ao km 296, em Avaré, ao realizar o transporte de 30 estudantes, que saíram da cidade de Fartura com destino a faculdade de Avaré. A empresa foi autuada, multada, o veículo foi retido e realizada a retirada dos passageiros. No mesmo dia, uma nova multa foi aplicada à empresa, por transportar, irregularmente, 43 estudantes com a mesma origem e destino. Dois dias depois, a empresa recebeu nova autuação por fretamento irregular na Rodovia Raposo Tavares (SP 270), próximo ao km 372, em Ourinhos, quando tiveram dois veículos autuados, retidos e realizado o transbordo dos 15 passageiros.”

DA VOZ DO VALE

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