Vacina contra a covid-19: saiba o que é mentira e o que é verdade

Em meio ao desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, diversas notícias falsas estão sendo disseminadas no Brasil e no mundo, preocupando parte da população que anseia por uma proteção eficaz contra a novo coronavírus. Para evitar desinformação sobre o assunto, reunimos abaixo uma lista com diversas notícias sobre imunizantes em fase de testes ou que já são aplicados em outros países.


Pediatra Anthony Wong tira do contexto índice de efeitos adversos brandos do imunizante pesquisado pelo Instituto Butantã. O especialista explica que os resultados observados não indicam anormalidade.

Morte não teve relação com a vacina e o que o governador de São Paulo anunciou foi a chegada de um lote de imunizantes.

Especialistas dizem que não há comprovação na literatura médica de que um imunizante possa causar danos neurológicos.

Enfermeiro usa morte de voluntário em testes para atacar vacina contra a covid-19.

Imunizante em teste causou reações como dor de cabeça e dor local; participantes dos ensaios clínicos não relataram danos graves.

Publicação no Facebook espalha desinformação sobre imunizantes e sugere existência de ‘vacina natural’ para a covid-19.

© Gabriela Biló/Estadão A coronavac é a vacina desenvolvida pela China e que terá produção pelo Instituto Butantan em São Paulo

De acordo com Instituto Butantã, apenas 0,03% dos voluntários chineses que receberam imunizante tiveram reações adversas como perda de apetite, dor de cabeça e cansaço.

Imunizantes contra covid-19 já foram aprovados na etapa em que o composto é aplicado em animais, ainda em laboratório, para saber se ele é seguro para ser testado em humanos.

Vacinas mRNA são desenvolvidas para não interferir no DNA humano e nada têm a ver com a instalação de microchips.

Não há nenhuma notícia de qualquer vacina com microchip em desenvolvimento no mundo, como tenta fazer crer uma publicação que viralizou nas redes sociais.

Nenhum dos imunizantes em desenvolvimento contra o novo coronavírus faz uso de tecnologias citadas em boato viral.

Imunizantes de mRNA são desenvolvidos para não interferir no DNA humano; não há qualquer evidência de que sejam capazes de causar danos genéticos.

Boato também afirma que biofarmacêutica Sinovac Biotech produziu testes em laboratórios de militares chineses; empresa desmente.

Linhagens celulares desenvolvidas a partir de tecidos humanos são comuns em pesquisas científicas.

Publicação no Instagram comemorava a chegada da vacina sem dizer que se tratava de um lote para teste em voluntários; autor corrigiu a informação depois de alertado pelo Comprova.

Produto ainda precisa superar a terceira etapa de testes, que está sendo realizada com 50 mil pessoas e inclusive no Brasil.

Boato no Facebook usa foto de kit de testes para detectar novo coronavírus.

País ainda não produziu vacina que previna contra covid-19.

Levantamento mostra maior índice de hesitantes na faixa dos 25 aos 34 anos (34%) e entre evangélicos (36%).

Porcentual é muito superior aos 9% que haviam declarado recusa ao imunizante em pesquisa realizada em agosto.

  • Vacina contra a covid-19 pode aumentar o risco de infecção por HIV?

Em carta publicada em outubro na revista científica The Lancet, os pesquisadores Susan P Buchbinder, M Juliana McElrath, Carl Dieffenbach e Lawrence Corey expressaram preocupação sobre o uso de um recombinante vetor de adenovírus tipo 5 (Ad5) para um estudo de vacina contra a covid-19. Segundo eles, algumas vacinas que usam Ad5 podem aumentar o risco de que pessoas sejam infectadas com HIV.

"Há mais de uma década concluímos estudos de etapa e fase 2b de Phambili (nome do estudo) que avaliou um Ad5 vetorizado em vacina contra HIV administrada em três imunizações para eficácia contra a aquisição do HIV. Estudos internacionais encontraram um risco aumentado de aquisição de HIV-1 entre homens vacinados. O ensaio Step (outro estudo) descobriu que homens soropositivos para Ad5 e não circuncidado na entrada no ensaio estavam com risco elevado de aquisição de HIV-1 durante os primeiros 18 meses de acompanhamento", afirmaram os pesquisadores.

No caso, a vacina contra o HIV com Ad5 aumentava o risco de voluntários contraírem a doença. Por isso, de acordo com os especialistas o vetor Ad5 não deve ser usado em vacinas com essa finalidade. Além disso, a incidência de infecções por HIV precisa ser analisada com muita cautela durante estudos com outras vacinas que contenham na composição o Ad5, principalmente em áreas onde é alta a prevalência de pessoas soropositivas.

vacina russa Sputnik V, elaborada para produzir resposta imune a partir de duas doses administradas em um intervalo de 21 dias, está entre as vacinas que utilizam o Ad5 na composição. Cada dose tem como base diferentes vetores virais que normalmente causam gripes comuns: os adenovírus humanos Ad5 e Ad26.

Outra vacina chinesa, a CanSino, também usa o vírus Ad5 para transportar material genético do coronavírus para o corpo. Essa vacina que não tem nenhuma relação com a CoronaVac, que também é da China e está sendo desenvolvida em parceria com o Instituto Butantã. Assim como a CoronaVac, outras vacinas que estão em teste no Brasil fazem uso de outro tipo de adenovírus. / Colaborou Renata Okumura