"Meu Pai" J Barreto

 Meu Pai 


Meu pai nasceu em Vassouras-RJ no dia 5/3/1911, filho de Hermógenes Barreto Faria e Carmínia da Silveira Dutra. Em 1927 a família chegou a Avaré para serem lavradores em terras do Sr. Adauto Lemos. Em 1933, casou-se com Leopoldina Drummond Dias. Monta um armazém de Secos e Molhados em terras de seu sogro, José Caetano Dias Batista. Nesta época, além de fornecer mercadorias aos produtores rurais, torna-se comprador de algodão para Anderson Clayton. Em final de 1939, assume a administração da Fazenda São Pedro, em Paraibuna, que era grande produtora de algodão. Como a topografia da mesma era montanhosa, o custo da produção não competia com os produtores do centro-oeste paulista. Sendo assim, ele propôs, e foi aceito pelo proprietário, Sr. Antonio de Almeida Castro, transformá-la em pecuarista, e de 1945 em dias tornou-se a maior fornecedora de leite para o Laticínio Vigor em todo o estado de São Paulo. Vizinha da Fazenda São Pedro tinha a Fazenda Serrote, de propriedade do Coronel Luiz Ribeiro Porto, presidente dos Laticínios Paulista, cujo filho, Paulo Porto, ainda muito jovem, teve em meu pai um mestre, e para tanto ele chegava cedo a nossa casa e acompanhava meu pai nas visitas que o mesmo fazia, e só retornava à sua casa após o jantar, e assim lá se foram muitos meses. Este personagem ainda será citado em nova oportunidade. No final de 1946, por motivo se saúde, pede demissão do cargo e retorna à Avaré para poder se tratar.


Sempre muito ativo e com um senso cívico muito elevado, sem nunca ter sido político, interessa-se pelos problemas da cidade e pelo bem comum. No Bairro Alto havia um cemitério abandonado, em franca decadência, e que pertencia a Paróquia Nossa Senhora das Dores. Ele procurou o Coronel Luiz Cruz e expôs ao mesmo a idéia de transformar aquele espaço em uma Vila Vicentina, onde seriam construídas casas simples, mas acolhedoras, para abrigar casais idosos que não tivessem condições de arcar com aluguéis - não seria doação, mas sim um empréstimo vitalício. Ambos procuraram o Padre Celso ao qual expuseram o plano, o qual pediu um prazo para estudá-lo, mas logo aprovou esta sugestão. Não sei como e não sei o porquê, mas meu pai sempre dizia que na implantação deste projeto houve grande apoio de Antonio Curiati.


Ele comprou com renda própria um salão na Rua Félix Fagundes e um terreno na Avenida Salim Curiati x São Fernando e doou para a 1ª. Igreja Batista, e um terreno no Jardim Tropical para a Igreja Metodista. Estando insatisfeitos com o preço pago pelo Laticínio União pelo litro do leite, os produtores se reuniram com o objetivo de criar uma cooperativa. Mas havia um porém, vender para quem? Foi quando entra em ação meu pai propondo uma intermediação com o Laticínio Paulista, o qual na época era presidido pelo Paulo Porto. Contatado, ele pede ao meu pai para levar alguns produtores até a Matriz para trocarem algumas idéias. Entre os participantes estava o Rubens Lemos, o qual foi apresentado ao Paulo, junto com os demais participantes. Nesta reunião ficou combinado a vinda do Paulo Porto a Avaré para um encontro com todos os produtores.


Usando da palavra, o mesmo fez uma extensa explanação sobre o cooperativismo, falou das vantagens e das obrigações dos cooperados e de seus administradores. Terminou a palestra dizendo que o Laticínio Paulista não estava mais aceitando afiliados, mas em consideração ao Seo Barreto iria abrir uma exceção, aceitando a filiação de Avaré.


Para não onerar demais a futura Cooperativa, ele iria transferir os equipamentos da Cooperativa de São Carlos que fora substituído por uma de maior capacidade. Este foi início da Cooperativa.


Quando da criação da CERIPA, ele voluntariamente contatou os proprietários rurais e alguns investidores da capital.


Na noite da apresentação do Estatuto e a adesão e efetiva fundação, faltaram duas assinaturas para o quorum dos participantes habilitados, o que inviabilizaria a fundação da mesma. Meu pai usou da palavra e se responsabilizou pelas assinaturas de Angelo Fracarolli, dono das Baixelas Francalanza, e também do dono dos produtos Pão Pullman. Houve polêmica, e deram 24 horas para ele confirmar as adesões.


Logo de manhã entra em contato com ambos, os quais confirmaram ao Presidente da Comissão, e assim fica fundada a CERIPA – Cooperativa de Eletrificação Rural Itaí, Paranapanema e Avaré.


Com os incentivos fiscais para reflorestamento meu pai cria uma empresa terceirizada com a qual reflorestou mais de 3.000.000 de árvores, entre pinus e eucalipto. A Agro Resineira Barreto foi uma das pioneiras na extração e comércio de resinas, atuando em dez áreas simultaneamente. Tendo atuação em Avaré, Bofete, Botucatu, Paraguaçu Paulista, Pederneiras, Luiz Antonio, Campos do Jordão e Manduri.


Ele foi um exemplo de Cidadão, de Pai, e de Cristão. Para ele, todos temos a obrigação de sermos úteis. E isto todos os seus filhos continuam praticando. Seo Barreto foi um homem probo, e um exemplo a ser seguido.


J. Barreto