• Segundo a investigação, a organização causou um prejuízo aproximado de R$ 7 milhões aos cofres públicos.
Gaeco cumpriu mandado de busca e apreensão na sede de uma empresa em Avaré — Foto Rafael HonoratoTV TEM
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, cumpriu nesta quinta-feira (17) mandados de busca e apreensão na sede do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Bauru (SP), na sede de uma empresa envolvida em Avaré, além de casas e escritórios.
A operação "Conserva" investiga um esquema de corrupção envolvendo funcionários do departamento e empresas de engenharia. Segundo a investigação, a organização atuava pelo menos desde 2012 e causou um prejuízo aproximado de R$ 7 milhões aos cofres públicos.
O Departamento de Estradas de Rodagem informou em nota que colabora com a investigação realizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, e está à disposição para qualquer esclarecimento que se faça necessário.
A empresa Vale do Rio Novo Engenharia Construções de Avaré foi procurada pela equipe da TV TEM, mas até a publicação desta reportagem não teve resposta.
A operação “Conserva” é um desdobramento da investigação sobre superfaturamentos em contratos com empresas que fazem fiscalização em rodovias. Cinco pessoas foram detidas em novembro de 2016.
No final do ano passado, a Justiça de Bauru condenou cinco engenheiros suspeitos de envolvimento no esquema que fraudava a medição de quilometragem das viaturas de apoio a usuários.
Na operação desta quinta-feira, foram apreendidos computadores, celulares, documentos e uma máquina para cortar papel. Todo material foi encaminhado ao Ministério Público de Bauru e vai passar por perícia.
Os promotores também cumpriram mandados de indisponibilidade de bens, em razão dos prejuízos causados pelos averiguados.
Os investigados são dois funcionários públicos do DER e duas pessoas, vinculadas à empresa prestadora de serviços. Há ainda mais um investigado, que atuou como colaborador na investigação.
Segundo investigação, o DER realizou procedimentos licitatórios para contratação de empresas com a finalidade de conservarem as rodovias sob sua jurisdição. São os chamados “Contratos de Conserva”, por isso o nome da operação.
De acordo com o Gaeco, os suspeitos informavam uma quilometragem a mais para o Estado e o valor superfaturado era divido entre os envolvidos.
Em um destes contratos foram apurados desvios e fraudes praticados por organização criminosa voltada para a prática de crimes de peculato, que é o desvio de um bem ou valor público por funcionário que tenha acesso a eles em razão da sua função.
As presentes medidas servirão para conclusão das investigações, bem como para garantir o reparo dos prejuízos causados. Os trabalhos de buscas contaram com o apoio da Polícia Militar.