Investigação da tragédia em Taguaí revela que motorista do ônibus fazia ultrapassagem proibida

JORNAL DO GUMA "CASOS DE POLÍCIA"

O Fantástico, programa desse domingo, 21, da rede Globo, deu destaque à reportagem que revelou detalhes sobre resultados da perícia técnica, até então ainda obscuros, da tragédia que ficou marcada na história da região Sudoeste Paulista.

  • Reportagem produzida pelo Fantástico, da Globo, revela detalhes da investigação; para a polícia o freio do veículo não teria falhado.

“Infelizmente nesse acidente houve uma falha humana”, disse delegada responsável pelo caso


De acordo com o divulgado pela reportagem, as novas informações revelam — detalhadamente — o que aconteceu no dia 25 de novembro de 2020, na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, no km 172, município de Taguaí, onde 42 pessoas morreram na batida entre o ônibus cheio de trabalhadores itaienses e um caminhão.

Peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo analisaram a estrada e não acharam buracos ou qualquer outra deformação na pista que pudessem ter provocado o acidente. Eles também verificaram os freios do lado esquerdo do ônibus, e desmontaram as rodas do lado direito, para uma checagem completa. A conclusão do laudo oficial: “mangueiras, válvulas e demais componentes estavam íntegros e não foram encontrados vestígios que indicassem falha no sistema de freios.”

Em declarações à reportagens do G1 e também para a polícia, o motorista alega que os freios do ônibus falharam.

“Infelizmente nesse acidente houve uma falha humana”, destacou a delegada Camila, na reportagem que ainda revelou outro dado muito relevante. Cinco minutos antes do acidente o ônibus estava a 49 km/hora, e o condutor não teria mais tirado o pé do acelerador. O motorista Mauro Aparecido de Oliveira alega que ao notar um outro ônibus a sua frente, teria freado, momento em que o sistema de freios teria falhado. Para o Fantástico, a policia disse não acreditar no motorista que se salvou ileso da tragédia.

Para a delegada Camila, “não houve falha no freio. Ouve sim uma ultrapassagem em local proibido, de fato. Foi uma ação deliberada do motorista.”

Ainda segundo a reportagem o ônibus estava a 89 km/hora no momento em que bateu no caminhão, em local de faixa contínua, ou seja, em local proibido para ultrapassagem.

Para a polícia, o motorista Mauro, que fazia o trabalho há cerca de 8 anos, disse que não tirou o veículo para a direita, para fora da pista quando notou a falha do freio, porque teria uma ribanceira no local, o que de fato, não é verdade. Testemunhas disseram ao Fantástico que Mauro costumava fazer ultrapassagens proibidas.

O advogado do motorista, Hamilton Ganfratti, revelou na matéria que irá pedir o perdão judicial se seu cliente for condenado pela Justiça, “Mauro está vivendo sobre intenso sofrimento e sob medicação e havia uma relação subjetiva de afetividade (de Mauro) com os componentes do ônibus e isso favorece o perdão judicial.” Declarou o advogado.

A matéria também revela que os donos da fábrica onde trabalhavam as vítimas serão responsabilizados por colocar os funcionários em perigo.

O inquérito está em fase final. 27 pessoas já prestaram depoimento à polícia.

Fonte: Sudoeste Paulista