NELSON ITABERÁ CANTA "Tema 13 TROCADILHO XOTEADO"

TV AVARÉ "ESPECIAL DE MÚSICA"

 

A música a serviço da linguística, da exploração bem humorada da cultura, costumes e da riqueza da língua escrita e falada nos diferentes Brasis. A música a serviço da narrativa misturada com pitadas de literatura e folclore popular. Assim o jornalista e compositor propõe em 'TROCADILHO XOTEADO".

A produção que integra o Documentário LINGUAGENS, lançado em abril passado, integra a sequência de produção literária (livro Literatura cantada) e musical do autor (disco com o mesmo nome lançado em 2019).   

O terceiro eixo da produção de Nelson Itaberá traz correlações e experimentos da prosódia (estudo sobre a relação entre sílabas e notas musicais) e o uso de elementos da literatura em construções musicais como a narrativa. A produção explora fonemas, figuras de linguagem e muito, muito humor.

Trocadilho

Esta música nasceu de uma brincadeira com a literatura e os fonemas, conta o autor. 

"Primeiro, cumpre resgatar aqui que xote é um "estilo" de dança marcada que percorreu minha infância. A influência sulista que ganhou o Norte do Paraná e o sul paulista, onde tem terra roxa, fez os "pé vermeio" dançarem muito vanerão e xote marcado nos bailes". 

Então, diz, Itaberá, surgiu a ideia de usar a literatura para "amarrar" o "Auto da Compadecida" e elaborar uma narrativa comportamental  brincando com fonemas. 

Por isso, a letra conta uma ESTÓRIA. Um casal, na verdade, vive o "conflito" entre a diversão (o 'homi' quer ir pro baile) e a reza (a esposa beata quer "garrar" na novena). 

No Interior, a fé, por sinal, é acompanhada de festejos, festas folclóricas que unem novenas, cânticos e lazer, em datas específicas.

NA LETRA da canção, o fonema trouxe, de presente, a riqueza da língua portuguesa, onde a citação de Auto da COMPADECIDA (obra de Ariano Suassuna) é emprestada para dar guarida à aparente "intriga da narrativa". 

Por isso, a canção traz, logo no início, que "Auto que não levo é o da COMPADECIDA", andor escada acima é mais difícil carregar. Mas se chamar pro xote da COMADRE CIDA, vou até carregado. Auto lá! Já chego já!.."  


Na segunda parte, a letra também "brinca" carinhosamente com contradições, sem deixar de lado as "nuances" de sentido embutidas nas próprias frases, como em "Ainda não sei de nada, mas fico esperto de quase tudo".... "A vida PASSA todo dia, mas deixa peça AMARROTADA".

Marca registrada em várias canções do autor, a desfragmentação de palavras também está presente em "Trocadilho xoteado". Veja na frase: "Esse negócio nega o ócio, nego". 

O "refrão" faz uma crítica bem humorada a letras do cancioneiro brasileiro: "Se é pra rir do rimar, MARAVILHA.... do MAR VI A ILHA.."..

"Se é pra te ENCIUMAR, ADVINHA... em si o mar, advir a vinha"...

Trocadilho xoteado integra os experimentos do autor em pesquisa sobre o uso de fonemas e estruturas de texto a serviço da elaboração de canções, uma obra seminal para a música popular brasileira a partir de nossas riquezas culturais e traços de nossa identidade.