Porque ter filhos? A pergunta me foi disparada durante uma tarde de pouco sol, o que tornava o dia levemente mais frio, mas ainda assim, agradável.




Porque ter filhos? A pergunta me foi disparada durante uma tarde de pouco sol, o que tornava o dia levemente mais frio, mas ainda assim, agradável. Apoiei uma das mãos no queixo, enquanto a outra tamborilava os dedos na mesa. À medida que pensava na resposta mais sincera, olhei para cima, observando as nuvens pairando carregadas pela suave brisa pelo céu azulado. 

Em pouco tempo, já estava divagando entre memórias de uma outra época. Um lugar longínquo que até poderia ser outra vida. Eu fui pai aos 21 anos. Pela idade, é possível imaginar que não foi nada planejado. E realmente não foi. Também não posso dizer que estava preparado para essa grande missão. Mas não acredito que alguém esteja. Eu só tive plena consciência quando ouvi, pela primeira, vez o coraçãozinho do Arthur, que batia tão acelerado quanto uma bateria de heavy metal. 

Desde esse momento, pulsou em meu corpo uma energia diferente e minha vida mudou por completo. Muitos caminhos e decisões foram tomadas em consequência disso. Dez anos depois, eu fui pai pela segunda vez. A situação era outra, porém, os desafios eram de igual tamanho e não foram poucos. Apesar disso, bastou que eu segurasse o Ravi em meus braços e ouvir seu chorinho, que tive certeza de dar conta. Faria meu melhor.

Criar um filho não é uma simples tarefa. Requer muito cuidado, atenção e disposição para ensinar os caminhos da vida. Nesse ponto, eu tive a sorte de possuir exemplos incríveis: meu pai Janary e meu avô Gerardo. Cada um, à sua maneira, fez com que eu soubesse o que fazer e onde acertar. Ouso dizer que meu pai é uma pessoa tão maravilhosa que eu jamais vou conseguir ser tão bom quanto ele. Meu consolo é que meus filhos tiveram oportunidade de crescer e conviver com o avô e o bisavô. 

Fisgado por todas essas lembranças, esqueci-me de responder o questionamento: porque ter filhos? Bem, como me propus a dar a resposta mais sincera, o que posso dizer é que os filhos são a forma mais pura de amor e nos ensinam mais sobre nossa vida, do que poderíamos aprender de qualquer outra forma. Os filhos nos fazem evoluir e com eles, compreendemos o verdadeiro significado de palavras como dedicação, sacrifício e esforço. Uma palavra que se aplica muito bem ao sentimento de ter filhos é plenitude, que significa estar completo e perfeito dentro da sua totalidade. E é isso que eu sinto.